POR MARIANA KAOOS
Hannah Arendt é o nome de uma filósofa política alemã que, lá no meio do século passado, escreveu um bocado de livro bacana sobre os mais variados assuntos sociais. Um deles, lançado em 1958, se chama A Condição Humana e traz um apanhado histórico e político do homem e da sociedade de maneira geral. Ou seja, ele (o livro) aborda da questão do trabalho, do público, do privado, da era moderna e assim por diante. A leitura como um todo é interessantíssima e super válida, mas aqui nesse momento, nos interessa apenas o primeiro capítulo.
É justamente nesse primeiro capítulo que Hannah faz uma distinção entre dois termos apresentados: vita activa e vita contemplativa. De acordo com a autora, a vita activa começa lá na Grécia antiga, com Sócrates e o seu conflito como filósofo com a polis. Resumindo de uma maneira bem paupérrima, a vita activa diz respeito ao nosso cotidiano, ao trabalho, às obrigações do dia a dia e da vida como um todo. Já a vita contemplativa, era (e ainda é) uma regalia dos filósofos, que objetivavam se ocupar com a contemplação do belo. Reproduzindo um pouco as palavras de Hannah, a vita contemplativa é “dedicada à investigação e à contemplação das coisas eternas, cuja beleza perene não pode ser causada pela interferência produtiva do homem nem alterada pelo consumo humano”.