POR MARIANA KAOOS
*Esse texto é dedicado a todas as pessoas que, em meio a crises existenciais, acreditam que o devir, a filosofia é algo vago e impossível de ser aplicada no cotidiano e nas produções culturais artísticas.
Há muito, muito tempo atrás, numa terra distante, havia um menino. Um menino como outro menino qualquer. Era magrelo e tinha um barrigão de verme. Olhos esbugalhados, igualzinho ao dos irmãos. Pés calejados de tanto andar descalço. O menino era comum, exceto pelo seu jeito de enxergar a vida. Sua família morava ao lado de um rio e, todos os dias, seus irmãos iam brincar com a água e com os peixes. Em alguns momentos ele brincava junto, mas, na maioria das vezes, ficava apenas sentado, observando o rio e sentindo a vida passar através dele. E era bom. E era também doloroso. Doloroso porque extremamente difícil para uma criança em solidão descobrir e apalpar certas verdades da existência.